Grupo conhecimentos em conexão
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS
CIBERCULTURA
De acordo com (Lemos, 2002), a cibercultura é a relação entre as tecnologias de comunicação, informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informatização/telecomunicação na década de 1970. Trata-se de uma nova relação entre tecnologias e a sociabilidade, configurando a cultura contemporânea, ou seja, a cibercultura é um estabelecimento de relações, uma aproximação entre indivíduos, através das novas ferramentas virtuais.
INTERATIVIDADE
Para Lynn e Nova,
A interatividade passa a levar em consideração a possibilidade de imersão, navegação, exploração e conversação presentes nos suportes de comunicação em rede, privilegiando um visual enriquecido e 'recorporalizado', em contraponto com um visual retiniano (linear e sequencial), que recompõe uma outra hierarquia do sensível (COUCHOT, 1997:139), instaurando, assim, uma lógica que rompe com a linearidade, com a hierarquia, para dar lugar a uma lógica heterárquica, rizomática, hipertextual (ALVES; NOVA 2003, p. 8-9).
Para Lemos (2000), interatividade é um caso específico de interação, a interatividade digital, compreendida como um tipo de relação tecno-social, ou seja, como um diálogo entre homem e máquina, através de interfaces gráficas, em tempo real.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
MEMORIAL DE LEITURA
“Ler não é caminhar e nem voar sobre as palavras. Ler é
reescrever o que estamos lendo, é perceber a conexão entre o texto e o contexto
e como vincula com o meu contexto”.
(Paulo Freire)
A leitura em minha
vida é o instrumento pelo qual, meu conhecimento é lapidado diariamente, pois, para
Bossi (1973) uma lembrança- o rememoramento- é como um diamante
bruto que precisa ser lapidado, por meio do trabalho da reflexão.
Nesta perspectiva De Certeau (1990) ressalta: a
memória é uma arte, construída por clarões e fragmentos, detalhes que são
relembrados. Para ele a memória é móvel, cada lembrança dela é modificada a
cada momento em que é lembrado, “longe de ser relicário, ou a lata de lixo do
passado, a memória vive de crer nos possíveis, e de esperá-los, vigilante, à
espreita” (pg.131). A memória situa-se em uma mobilidade de tempo-espaço, sendo
tridimensional, como relata Abrahão (2011) ela é o rememoramento - ato de
rememorar- do passado em um tempo-espaço diferente do rememorado - do presente.
Ela consegue articular estes três tempos, “rememora o passado com olhos do presente
e permite prospectar o futuro.” (pg. 166). É através da leitura que podemos
relembrar bem os momentos mais significativos em nossas vidas, pois ler é um ato de amor, de envolvimento, de magia e de prazer.
Sou Cristine dos Santos Silva, brasileira,
natural da cidade de Rio Real no estado Bahia, casada com Ailton Paulo Cruz da
Rocha, mãe de Gabriel Silva Cruz, nascida em 13 de junho de 1979, em uma
família de cinco irmãos (Eliene, Evandro, Cleidiane, Evanilson, Everson) e
tenho três sobrinhos (Lucielen, Natilen e Dieggo) filha de Edvaldo Maciel da
Silva e Rosália dos Santos Silva, residente à Rua do Candealzinho nº 616. Neste
memorial estabeleço relações entre os momentos mais marcantes da minha vida:
minha infância, a formação escolar, experiências profissionais e acadêmicas.
Lembro-me da minha infância bastante feliz e vivenciada
intensamente, mas sem a prática da leitura. Durante meus primeiros anos quase
não tive contato com livros, pois meus pais são pessoas simples, que não têm o
hábito de praticar leitura, não liam jornais, revistas e muito menos livros,
mas tinham muito amor, carinho e principalmente um desejo enorme de oferecer
aos filhos a educação que eles não tiveram e assim aconteceu dentro de suas
possibilidades. Um dos momentos marcantes em minha vida era quando meus pais,
eu e meus irmãos íamos para casa de minha tia que morava na zona rural, próximo
a um rio, lá passavamos o dia tomando banho, andando a cavalo e brincando de
pega-pega, esconde-esconde e quando chegava à noite todos ficavam reunidos
ouvindo as histórias de minha tia, algumas eu até gostava, mas outras como a da
mula sem cabeça, de lobisomem, de fantasmas eu tinha muito medo.
Estes momentos de
reflexão são oportunidades que precisamos vivenciar intensamente, nos
permitindo deliciarmos com nossa própria história.
FORMAÇÃO ESCOLAR
Aos sete anos meus pais me matricularam na Escola
Municipal Edvaldo Machado Boaventura, situada próxima a minha residência onde
tive a oportunidade de conhecer o mundo encantado da leitura, embora a
metodologia utilizada naquela epoca fosse bastante diferente da atual e não
oferecesse principalmente na educação infantil a oportunidade de manusearmos
diferentes gêneros textuais, literaturas, revistas e livros, tive o privilegio
de ter professoras maravilhoas que me ensinaram a importância da leitura em
minha vida. A leitura era feita diariamente, a
professora pedia que abrissem o livro na página indicada e começava a tomar a
lição. O primeiro da fila iniciava a leitura e quando a professora pedia para
parar, o aluno da próxima carteira continuava e assim passo a passo aprimorávamos
a nossa aprendizagem.
Aos onze anos fui
estudar a 5ª série antigo ginásio no Colégio Estadual Drº José Carvalho
Baptista, onde meu desejo pela leitura foi bastante estimulado, pois, tinha uma
professora que indicava vários romances literaturas e livros para realizarmos
a leitura e depois compartilhar com a turma, da 5ª a 8ª série vivenciei
momentos inesquecíveis. Tive o previlégio de estudar na turma do meu tutor
Silvane Santos, com o qual realizei muitos trabalhos em grupo, ia a casa dele
para ensaiar as apresentações e nos divertíamos muito. No 1º ano do ensino
médio continuei na mesma escola, porém optei, por fazer o Curso Cientifico e
não o magistério, então fui estudar no turno noturno, foi uma mudança
significativa em minha vida, encontrei uma turma bem diferente da anterior,
precisei de um período para adaptação, e socialização com a nova turma, mais
uma época marcante em minha vida.
Em 1998 concluir o
ensino médio então decidi tentar a sorte em São Paulo, época muito complicada,
pois com quinze dias que cheguei em São Paulo recebi a informação que meu irmão
Evandro estava muito doente, e foi diagnosticado que estava Esquizofrênia sofri muito e esse foi um dos motivos pelo qual resolvi voltar pra próximo da
minha família, enquanto morei lá li
muito jornais e anúncios sobre emprego, não obtive muito sucesso, mas foi um
momento de amadurecimento e aprendizagem.
O fato de morar em uma cidade do interior, que não tinha Faculdade
e pertencer a uma família de baixa renda me fez adiar por dez anos o sonho de
continuar meus estudos e ingressar no ensino superior. Em 2.008, no dia que ia
fazer a provado vestibular da Faculdade de Tecnologia e Ciências, infelizmente
minha avô Josefa faleceu, uma pessoa excepcional que chamava de MÃE VELHA, foi
um dia muito difícil, pois precisei pedir muita força a Deus para conseguir ir
fazer a prova, e a minha força veio do amor a Deus e ao lembrar de uma frase
que Ela havia me dito, ( Minha filha
você vai longe, muito longe), então fiz
a prova e hoje estou aqui, chegando a
etapa final do meu curso. Em 2009
iniciei o curso de Licenciatura em Pedagogia, e hoje, sinto-me, realizada, pois,
essa é uma área onde a leitura é mais que um hábito é uma necessidade. Desde
que iniciei esse curso aprimorei significativamente, meu leque de leitura,
pois, li as teorias de vários teóricos, teses e artigos como: Jean Piaget, Levi
Vigotsky, Ana Taberoski, Henri Wallon, Emília Ferreiro, Parâmetros Curriculares
Nacionais, Referências Curriculares Nacionais. Fiz leituras de alguns livros
como: Irmãos negros de Walcir Carrasco, O Outro Lado da Meia Noite, O Outro
Lado do Espelho de Sidney Sheldon.
EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS
Minhas experiências
profissionais são bastante diversificadas já trabalhei como vendedoura,
garçonete, feirante, babá, caixa em açougue e me sinto uma pessoa vitoriosa ao
relembrar a importância da leitura em minha vida, pois, é através dela, que a
cada dia vou crescendo pofissionalmente.
Em 2000 lecionei,
em uma turma de Educação de Jovens e Adultos, confesso que não foi por escolha
e sim por necessidade, mas essa oportunidade tornou-se um momento expecional em
minha vida, pois tive o previlégio de presenciar no olhar daquelas pessoas o
prazer e encantamento ao aprender a ler.
Em 2002 após uma
seleção, consegui um contrato do Estado
e comecei a trabalhar como coordenadora num Programa chamado Portal do
Alvorada, o qual participei de vários cursos como: Gestão social, Recursos
Humanos e Meio Ambiente. Além de
participar de várias reuniões e seminários sobre desenvolvimento sustentável,
Agenda 21e Econômia solidária. Esse foi um período de muita aprendizagem,
onde a leitura foi praticada
intensamente. Pois precisava conhecer o projeto minunciosamente e para adquirir
esse conhecimento a leitura dos manuais e apostilhas era o meu principal
recurso.
Em 2006 fiz o curso
para Conselheira Tutelar, fui aprovada, mas na eleição não fiquei entre os
cinco primeiros colocados, essa foi um época de minha vida que aprendi muito,
pois realizei a leitura do Estatuto da Criança e do Adolescente, a LDB, Lei de
Diretrizes e Bases.
Em 2008, prestei
concurso público, e trabalho atualmente como secretária em setor público, onde
pratico a leitura intensamente, pois dentre as minhas atividades nesta função
preciso realizar a emissão e expedição de ofícios, emails, notas fiscais,
protocolar documentos, agendar reuniões e digitar atas. Graças a deus estou me
aproximando da concretização do meu sonho que é concluir meu curso e atuar na
área da Educação, pois, minha atuação como educadora foi um período curto, mas
o suficiente para perceber que é na sala de aula onde me sinto completamente
realizada, pois durante os estágios vivenciei momentos inesquecíveis e de
aprendizagens mútuas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O memorial de leitura é um instrumento que,
possibilita momentos de reflexão, como afirma Souza (2006) “[as narrativas de
formação] constitui estratégia adequada e fértil para ampliar a compreensão do
mundo escolar e de práticas culturais do cotidiano dos sujeitos em processo de
formação.” (pg. 139). Assim, as memoriais possibilitam o conhecimento de si e a
transformação de suas práticas a partir de suas reflexões promovidas pelo
rememoramento. Como afirma Peres (2011) “podemos juntos ter a oportunidade de
revelar os nossos repertórios existenciais em direção à construção de processos
e projetos que tem a reflexão o caminho para uma transformação de sentido”
(PERES, 201, pg. 179).
A
leitura, portanto, promove o resgate da cidadania, devolve a autoestima ao
promover a integração social, desenvolve um olhar crítico e possibilita formar
uma sociedade consciente.
É
necessário ressaltar que a Leitura é o meio que a pessoa se entende como
cidadão e como tal está inserido numa sociedade, sociedade esta composta de
muitas pessoas que ainda não tomaram consciência do quão necessário é
libertar-se da escuridão da ignorância e se inteirar dos acontecimentos ao seu
redor tornando-se mais consciente e participativo.
Descrever esse memorial me fez refletir e reviver
sobre momentos que marcaram a minha vida, algo que proporciona um
amadurecimento expressivo, pois é revivendo, que percebemos o quanto crescemos
como pessoa e profissionalmente.
REFERÊNCIAS
ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto. Memoriais de
formação a (re)significação das imagens-lembranças/recordações-referências para
a pedagoga em formação. Revista Educação. Porto Alegre, v. 34, n. 2, p. 165-172. Maio/ago.
2011.
BOSSI, Ecléia. Memória e sociedade: lembranças
de velhos- 3ª ed.- São Paulo: Companhia das Letras, 1994. [1ª edição em 1973].
DE CERTEAU, Michel. A invenção do
cotidiano: artes de fazer. 7ª ed. Petrólolis.: Vozes, 2011. [1ª edição é de
1990].
FREIRE, Paulo. A importância do Ato de ler: 1982.
PERES, Lúcia Maria Vaz. Movimentos (auto)
formadores por entre a pesquisa e a escrita de si. Revista Educação.
Porto Alegre, v. 34, n. 2, p. 173-179. Maio/ago. 2011.
SOUZA, Elizeu Clementino de. Pesquisa narrativa e
escrita (auto) biográfica: interfaces metodológicas e formativas. In: SOUZA,
Elizeu Clementino; ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto (Orgs.). Tempos,
narrativas e ficções: a invenção de si. Porto Alegre; EDIPUCRS,
2006. p. 136- 147.
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